Declaração do ministro do Esporte iraniano indica que país pode não disputar o Mundial após escalada do conflito no Oriente Médio
A possibilidade de a seleção do Irã não disputar a Copa do Mundo FIFA de 2026 levou a FIFA a analisar cenários para preencher a eventual vaga aberta no torneio. A informação foi divulgada pela agência de notícias Reuters após declarações do ministro do Esporte iraniano, Ahmad Donyamali.
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Em pronunciamento realizado na quarta-feira (11/3), o dirigente afirmou que a participação do país na competição se tornou inviável diante do agravamento do conflito na região. Segundo ele, seria impossível para a seleção disputar o Mundial, que terá partidas sediadas em Estados Unidos, México e Canadá.
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O cenário de instabilidade se intensificou após ataques aéreos realizados por Estados Unidos e Israel no dia 28 de fevereiro, que resultaram na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei. O episódio desencadeou uma escalada militar que ainda permanece em curso.
Embora o governo iraniano ainda não tenha oficializado uma retirada do torneio, a sinalização pública do ministro foi interpretada como o indicativo mais claro até agora de que a seleção pode não comparecer à competição. Diante dessa possibilidade, a entidade que organiza o futebol mundial passou a discutir alternativas para reorganizar a disputa.
Até poucos dias antes das declarações, a expectativa da FIFA era de que a equipe iraniana participasse normalmente da competição. A seleção está programada para estrear na fase de grupos contra a Nova Zelândia, em partida marcada para 15 de junho, na cidade de Los Angeles.
Horas antes da fala de Donyamali, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, havia mencionado conversas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo o dirigente, o líder norte-americano teria afirmado que o Irã seria “bem-vindo” para competir no torneio.
Regra abre margem para decisão da Fifa
Caso a desistência seja confirmada oficialmente, o processo deverá seguir o que determina o Artigo 6º do regulamento da Copa do Mundo. A norma prevê sanções financeiras à federação que abandonar o torneio, mas também concede autonomia à FIFA para definir como proceder diante da vaga aberta.
O ex-diretor de regulamentação da entidade, James Kitching, afirmou à Reuters que não existem precedentes recentes de uma situação semelhante em edições modernas da competição. Segundo ele, a entidade possui liberdade para decidir se irá ou não indicar um substituto.
Apesar dessa flexibilidade, há a possibilidade de que a escolha recaia sobre uma seleção da Confederação Asiática de Futebol, já que o Irã conquistou a vaga nas eliminatórias do continente.
Possíveis seleções entram no radar
Entre os países mencionados em discussões preliminares aparecem Iraque e Emirados Árabes Unidos. O cenário, no entanto, ainda é considerado complexo.
A seleção iraquiana segue envolvida na disputa por uma vaga através dos playoffs intercontinentais, previstos para ocorrer no México contra o vencedor do confronto entre Bolívia e Suriname.
O técnico do Iraque, Graham Arnold, chegou a sugerir à FIFA que o confronto decisivo fosse adiado para uma data mais próxima do início da Copa do Mundo. A proposta buscaria ampliar o tempo para que a situação envolvendo o Irã seja definida antes da organização final da competição.

