Da abundância ao controle, a magreza atravessa séculos como símbolo de poder, status e privilégio
A história da humanidade mostra que o corpo nunca foi só corpo. Ele é linguagem. Ele é código social. Ele é status.
Durante séculos, ser mais cheio, mais “farto”, significava poder. Quem engordava era quem tinha acesso, quem comia bem, quem não passava fome. A magreza era sinal de escassez.
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Mas o jogo virou.
No século XXI, a magreza voltou a ser o grande símbolo de controle, disciplina e — principalmente — privilégio. Porque hoje, comer pouco não é falta. É escolha. E escolher é luxo.
Agora, em 2026, com a queda da patente do Ozempic e a popularização definitiva dessas canetas da “nova magreza”, acontece algo curioso: a magreza deixa de ser exclusiva. Ela começa a virar massa.
E quando algo vira massa… a elite automaticamente começa a procurar o oposto.
Porque a elite nunca quer parecer com a maioria. Nunca quis. Nunca vai querer.
Se todo mundo é magro, ser magro deixa de ser diferencial.
O corpo, mais uma vez, entra num ciclo histórico: aquilo que era raridade vira comum. Aquilo que era símbolo de status vira padrão. E o padrão deixa de ser desejável para quem quer se distinguir.
Estamos prestes a assistir a uma nova virada estética e cultural.
Não é sobre saúde. Nunca foi só sobre saúde.
É sobre pertencimento, diferenciação e poder simbólico.
A magreza extrema, que por décadas foi o troféu silencioso da elite, começa a perder seu valor de exclusividade. E, quando isso acontece, o desejo muda de endereço.
A moda muda. O corpo muda. O discurso muda.
Porque no fim das contas, o corpo sempre foi — e sempre será — um espelho da hierarquia social.
E a pergunta que fica não é: “vamos todos emagrecer?”
É: o que vai virar desejo quando todo mundo estiver magro?




